segunda-feira, 19 de março de 2012

Os dez mundos do budismo

Dentro do Budismo, encontramos Nitiren Daishonin, que aplicou um dos conceitos orientais mais interessantes, os Dez Mundos. Obviamente, estes, não são mundos físicos, mas 10 estados mentais que vivenciamos a todo momento, sendo que um destes estados estará sempre em predominância. São eles: Inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade, alegria, erudição, absorção, Boddhisatva e o estado de Buda. Todos os estados, menos o de Buda que é exclusivamente bom, podem resultar em causas boas ou ruins.

A seguir, falaremos de forma bastante breve, de cada um dos 10 estados mentais do Budismo:

Inferno – Qualquer ansiedade de medo ou mal-estar pode ser infernal. As pessoas consumidas pelo ódio estão no inferno, ou ainda quando sentimos dor ou sofrimento. Nitiren Daishonin declara: “A ira é o estado de Inferno” Este é o pior mundo para se morar, e está além da razão e da paixão.

Fome - Esta, não se refere ao apetite físico, mas aos anseios da alma. Pessoas obcecadas têm esta fome, assim como as viciadas. Muitas pessoas por exemplo, tem uma fome afetiva terrível, tentam suprir sua carência de sentido, amor ou propósito no outro, não suportando a solidão. Estes tipos de fome são paixões estremadas (ou não naturais). Este, de todos os estados, talvez seja o mais estimulado na Sociedade Ocidental.

Animalidade – São os impulsos instintivos, inerentes a nossa natureza. Como fome, sede, sono, afeição, excreção e sexo. Sendo todas elas naturais, uma vez que não precisam ser aprendidas. Portanto são paixões normais (ou naturais).

Ira – Não deve-se entender apenas por perder a calma. Mas um estado contínuo de raiva ou mal humor. Onde qualquer coisa é capaz de irritar-nos sem grandes dificuldades. Ou ainda pessoas sádicas, arrogantes ou que vivem criticando tudo e todos. Esses tipos de ira são paixões insensatas e exageradas. Pode ser aplicado de forma benéfica, como a ira contra a injustiça, impelindo à luta.

Tranquilidade – É um estado de pacifismo, onde sua mente não é perturbada. Nada em particular lhe perturba, nem você mesmo. Tranquilidade é a neutralidade e ausência tanto da paixão, quanto da razão. Podendo ser positiva através da paciência e razoabilidade como negativa, pela preguiça e complacência.

Alegria – Seria um estado de súbita e efêmera felicidade, ou mesmo êxtase. É a paixão mais risonha, e por este mesmo motivo mais fugidia. Não existe grande esforço, ou até mesmo nenhum, para ser vivido.

Erudição – Neste, você desenvolve suas habilidades cognitivas, sejam elas quias forem. Neste estado a mente está envolvida. Empele-nos ao desenvolvimento ou à separação dos outros, quando ruim.

Absorção – Ao contrário da erudição, o conhecimento aqui é apreendido por nós mesmos, através de nossa observação e experiência. É descoberta, invenção ou conexão. É a razão inspirada pela paixão criativa. Tornando-se má, quando a invenção é má.

Boddhisatva (ajuda) – É um estado de doação, de quem auxilia. Em seu estado mais alto, busca apenas ajudar sem receber nada em troca, apenas substituindo o mal-estar do outro por bem-estar. Os que agem desta forma, auxiliando outros a despertarem mais inteiramente, são chamados Boddhisatva. São lâmpadas que iluminam o caminho. A ajuda é a razão motivada pela compaixão.

Estado de Buda (despertar) – Todos os outros mundos, são estados da mente parcialmente desperta, alguns mais, outros menos. O Sutra de Lótus ensina que todos nós já somos um Buda, apenas, talvez, ainda não tenhamos percebido isto. É o único estado imune ao inferno. É o melhor mundo para habitar, e nada nos impede de habitá-lo, além dos outros estados de espírito.

Ao contrário da maioria das Filosofias Orientais, que buscam, em geral, vencer as paixões e exaltar a razão, Nitiren nos diz algo bem diferente. Como vimos, todos os estados com o exceção do estado de Buda, pode ser bom ou ruim. É importante ter isso em mente.

É muito comum, por exemplo, ver belíssimas obras de arte nascerem de mentes em estado de inferno. Como foi o caso de Ludwig van Beethoven, que mesmo enfrentando uma progressiva surdez que o deixara bastante depressivo, foi ainda capaz de compor lindas obras, dentre elas, o que para muitos seria sua obra-prima, a Sinfonia n° 9 em Ré Menor.

Ou ainda, grandes mudanças sociais podem começar por homens e mulheres com fome/sede de justiça, como foi o caso de Mahatma Gandhi, que através do princípio de não-agressão, liderou e inspirou os hindus contra o governo de Transvaal.

Portanto, fica-nos evidenciado que o melhor não é erradicar as paixões, mas aprender a dosá-las, como quem faz do veneno um soro. Deste modo, seja qual for o estado que se manifeste, devemos dirigir-nos para o melhor de todos os mundos possíveis.

extraido so site: http://www.agoragrega.com/tag/nitiren-daishonin/

Um comentário:

Gentil Martins do Santos disse...

Nossa...!
Enfim alguma fumaça...